sexta-feira, 3 de abril de 2026

Na Canela - Massaro não estava no banco mas entrou para a eternidade do futebol do MS

Foto: Divulgação Operário
Por TLF

Ser campeão logo em seu primeiro trabalho no estado, não é um feito inédito para o futebol sul-mato-grossense.

Nos últimos anos, vários treinadores conseguiram este feito, inclusive pelo Operário.

Mas ser campeão invicto, é um feito de apenas três personagens: Carlos Castilho, Ney César e agora, Paulo Massaro.

O treinador demitido há três dias da grande decisão do Estadual, é o primeiro técnico no século a conseguir isso no Mato Grosso do Sul.

O tricampeonato do Operário igualando a marca de Carlos Castilho entre 79 e 81, passa diretamente pela forma de jogar, defesa quase intransponível e um elenco usado com o time sentindo pouca diferença entre as mudanças.

Massaro chegou sob desconfiança de nunca ter conquistado um título como treinador profissional. Pelo Confiança, iniciou o trabalho mas foi desligado no meio do caminho.

Desta vez, apesar de ter sido demitido inexplicavelmente após uma única derrota, deixou o time com vantagem substancial diante de um adversário que também conquistou fato inédito.

O Bataguassu repetiu as façanhas de vários clubes que vieram da Série B e decidiram a Série A no ano seguinte, mas não quebrou o feito de ser campeão seguidamente das séries B e A.

Até o momento nossa pesquisa não aponta outro clube na história do futebol que tenha levado sete gols e decidido a mesma competição. 

O Bataguassu levou 7 a 2 do Dourados na fase de classificação e chegou à decisão do Estadual, feito inédito para nosso futebol e até o momento, sem informação de repetição ao longo da história.

Aliás, é incomum o time ter o artilheiro de uma competição e a pior defesa do campeonato. Choco com 15 gols, foi o artilheiro do certame mas passou em branco nas finais perdendo gol sem goleiro no Pereirão.

As finais foram meramente protocolares. A diferença é tão absurda entre as equipes que o Operário não jogou tudo que pode e venceu ambos os jogos. 

A vitória por 3 a 1 fora de casa poderia ser maior se o time não tirasse o pé. 

Já a volta na capital, 2 a 1 de virada com técnico interino no banco e depois de uma maratona pela Copa Centro-Oeste enquanto o rival teve 10 dias para se preparar, mas pouco mudou do que fez em toda competição.

O Operário de Massaro passou perto da derrota apenas uma única vez na competição. 

Numa quinta no Jacques do Luz, o rebaixado Águia Negra, foi quem mais impôs dificuldade pela estratégia adotada pelo então técnico Rodrigo Cascca e principalmente pelo desempenho ruim do tricampeão.

O galo de Massaro não encantou, não deu show, não estará na memória por ser um time tecnicamente brilhante. Mas é incontestável que foi exemplo do que necessita o futebol atual. Equilíbrio.

O artilheiro do Estadual Choco, fez 15 gols na competição. Porém, em três oportunidades contra o Operário, marcou apenas um e de pênalti.

Curiosamente, o Bataguassu, melhor ataque do Estadual, foi o clube que mais vazou o galo. Dos oito gols sofridos em 13 jogos, quatro foram do tucunaré. Dois gols em pedrada de fora da área e dois gols de bola parada.

Quando um clube tem investimento, estrutura e profissionalismo fora de campo, o resultado de campo só não aparece se a comissão técnica for incompetente no desenvolvimento do trabalho ou na gestão do elenco.

Massaro e sua comissão técnica provaram que um trabalho bem feito, deixa tudo mais fácil com o extracampo "redondo".

Apesar da Gestão Esportiva da Família Maluf ter mostrado amadorismo na condução da demissão e principalmente na omissão do que Massaro fez dando créditos apenas a Evandro de Lima, nada apagará o que o treinador realizou.

No MS, Massaro não tem mais nada a conquistar, a não ser superar Castilho com um "tetracampeonato invicto". 

Mas com a experiência vivida no clube "mais profissional" do estado ter postura amadora na condução de sua saída, melhor que ele nunca mais volte a passar por isso no segundo pior futebol do Brasil.

Parabéns Paulo Massaro, obrigado por mostrar como fazer e que é possível fazer tendo mais recursos que os outros. O Estadual 2026 foi um mero treino para o Operário disputar a Série D.

Nenhum comentário:

Postar um comentário