sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Na Canela: A goleada sofrida pelo União pouco importa se a cabeça dos atletas estiver focada

Foto: Reprodução

O União perdeu do São Paulo por 7 a 1 pela Copa do Brasil Sub-20. Resultado normal pelo abismo entre as equipes desde preparação, nível de competições que disputam, preparação física e calendário.

Mas o que interessa não é o placar do jogo que já era esperado pelos motivos conhecidos e sim, quantos atletas serão aproveitados no futebol profissional do estado dando retorno esportivo e depois financeiro.

Não adianta trabalhar a base sem esperar esses dois retornos e ter planejamento para isso. Contratos com os jogadores com mais potencial, devem ser feitos para que não hajam saídas gratuitas.

União e Serc, times que mais tem trabalhado para organizar suas categorias de base, precisam dar um passo a mais na direção do contrato e não contar apenas com o mecanismo de bonificação da Fifa.

Os exemplos de Kareca(31) e Guilherme(27) do Águia Negra, precisam ser observados. Jogadores com potencial mas que por motivos diferentes, não vingaram e só jogam por aqui.

É conhecido por todos que trabalho de base nunca foi feito pelo Águia Negra e mesmo assim, surgiram dois bons atacantes em Rio Brilhante mas que só ajudaram esportivamente o rubro-negro por culpa do próprio Águia.

Kareca passou por um problema pessoal no início da carreira que lhe custou jogar em alto nível em times melhores. Quando saiu do Águia Negra em 2008 e foi para o Corinthians, tinha tudo para despontar mas sempre tropeçou neste problema.

É um verdadeiro "andarilho" da bola e rodou por mais de 25 clubes. Seu grande momento foi no Cene em 2013 no Estadual e depois foi para o Paysandu. Foi campeão no Águia Negra, Cene, da Série B do Brasileiro pelo Corinthians mas nunca deu retorno financeiro ao Águia Negra.

Guilherme surgiu no time campeão em 2012 pelas mãos de Cláudio Roberto. Teve a grande chance da vida para ir pro time Sub-20 do Vitória com contrato progressivo mas a família não deixou e o convenceu que ele era "ídolo de Rio Brilhante". 

Passou por Guaicurus, Cene, Comercial, Boa Esporte, Atlético Sorocaba, Corumbaense, Sete de Setembro e nunca se firmou fora do estado. Teve a chance de fazer teste no Botafogo mas após três dias no Rio de Janeiro, não quis ficar.

Vários casos de garotos com potencial mas com complexo de grandeza achando que são os melhores do mundo, saudade de casa, falta de foco, saudade da comidinha caseira associada ao "mimo" familiar, atrapalham a carreira de vários e vários jogadores. 

Sem comportamento de atleta, perambulando de clube em clube no estado e alternando entre ser assessor de Iliê Vidal, disputou o Estadual 2019 pelo Águia Negra e já vinha com problema no joelho. 

Descomprometido com a profissão, foi jogar no futebol amador, rompeu ligamento do joelho e ficou fora do Estadual 2020. De volta ao time na Série D, não tem jogado por não estar em plenas condições físicas. 

Tal fato tem criado mal estar e alguns dentro do clube querem sua titularidade, ideia defendida até por parte da imprensa local, que de fato, acham que ele é o Pelé da pequena cativante. Conte passou por isso e não será surpresa se ele for titular no time de Rodrigo Cascca.

Tratam Guilherme com mimos e paparicos, esquecendo que ele já tem 27 anos, não é um garoto promissor e sim, um jogador que fracassou principalmente por não ser atleta e por não pagar o preço, se contentando em ser "ídolo" do Águia Negra quando tinha potencial para muito mais.

Quantos e quantos jogadores preferem o "glamour" da beira do terrão no amador do que pagar o preço para ser jogador profissional. Não é fácil, requer dedicação, comprometimento com a profissão escolhida e rejeição a várias coisas para chegar a estar entre os melhores.

A goleada sofrida pelo União é dolorosa, mas derrotas piores poderão ocorrer na vida desse atletas, principalmente se perderem o foco e deixarem coisas externas os atrapalhar.

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