segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Na Canela: Torcedor, antes de detonar uma competição com três equipes, saiba se seu time tem base


Digo, repito e continuarei repetindo quantas vezes for necessário. Futebol do Mato Grosso do Sul tem um único caminho para sair do fundo do poço. Base!

Investidores não vem para cá devido a falta de credibilidade de quem comanda os clubes. “Parcerias” desastrosas, é o que mais tivemos ao longo dos anos pelo estado.

A única que não acabou em prejuízo para um clube do estado, foi do Novoperário com o Nacional-SP para a disputa da Série D 2018.

Aquele time esteve perto das oitavas de final da competição sendo eliminado nos acréscimos pelo Iporá-GO.

Na última semana, a Federação definiu os participantes do Estadual Sub-19, competição que vale vaga na Copa São Paulo de 2021. União, Serc e Comercial foram os únicos que cumpriram o edital de convocação.

E quando alguém CUMPRE o necessário, é preciso ser elogiado. Durante vários anos, houve um jeitinho de outros clubes participarem beneficiando os incompetentes.

Houve uma temporada, que apenas o Guaicurus cumpriu o necessário e exigiu uma vaga antes que a bola rolasse, caso contrário, não aceitaria nenhuma outra equipe na disputa.

Ouvi de muitas pessoas que é uma vergonha uma competição com apenas três equipes e uma semana de duração. Mas as duas situações tem explicação.

O número de participantes é a realidade dos clubes profissionais que de fato estão tentando organizar sua base. A Serc se destaca com número maior de categorias e o União desde 2016, vem pagando o preço de revelar.

Os clubes sobem, caem, nem sempre fazem grandes campanhas mas vão colher o que estão plantando. O Comercial desde 2018 está tentando organizar sua categorias também.

Já no Estadual 2020, usou vários atletas na competição e segundo o Presidente eleito Cláudio Barbosa, investir na base é uma missão de seu mandato.

Outros clubes que disputaram Copa São Paulo em anos anteriores, sempre desaparecem por não ter base. O Aquidauanense, maior participante nos últimos anos, cansou de usar a base do Seduc e fazer “peneirada”.

Clubes da capital também abusaram de tal método arcaico para dizer que tem base. Operário e Comercial fizeram isso durante anos, pela incapacidade de ter categorias de base.

Na capital ainda existem os aventureiros que não sabem nada de bola e querem ser responsáveis por categorias e quando deixam os clubes, levam os jogadores, ou seja, não são atletas do clube, são do aventureiro.

Corumbaense e Águia Negra usaram projeto de suas cidades para jogar algumas competições. Novoperário que trabalha com várias categorias com projeto e tudo, não tem disputado as competições da Federação.

O Sete de Setembro que era referencia na base, não tem mais nada. O último trabalho foi com Valdir Fortini em 2018. Costa Rica disputou apenas quando tinha o apoio de uma parlamentar que tinha o filho na equipe.

O Cena que trabalhou corretamente durante anos, jogou todo o trabalho no lixo quando resolveu disputar o Estadual 2020.

O dinheiro que era para ser usado na base, foi usado no profissional. Guaicurus hoje mora no céu juntamente com Cene, maior campeão desta categoria.

Outros campeões como Misto e Taveirópolis, também estão só na memória dos feitos em anos passados. Pontaporanense e Maracaju disputam esporadicamente as competições.

Quanto ao tempo de disputa sendo apenas em turno único, isso é explicado pela pandemia do Covid-19 e liberação das autoridades apenas agora para práticas esportivas.

A Federação tem até dia 10 para indicar o representante do estado e os clubes, até dia 15 de novembro para inscrever os atletas.

A grande verdade é que 90% dos dirigentes dos clubes, montam times apenas para cumprirem o Estatuto da Federação que prevê participação de pelo menos uma competição de base.

Ninguém está preocupado em tirar seus times do limbo e querem viver das ajudas de prefeituras, governo do estado e as cotas da Copa do Brasil.

Os grandes clubes do futebol brasileiro e mundial, precisam revelar e vender para sanar suas finanças, mas os times do Mato Grosso do Sul devem estar muito acima desses times e vivem num mundo paralelo.

O mundo que alguém vai dar um jeito de pagar contas, dar um jeito para eles jogares, de pagar arbitragem, comprar bola, pagar alimentação, hotel, viagens. Alguém dá um jeitinho para eles jogarem.

Então torcedor, antes de reclamar do número de participantes, procure saber o que seu clube está fazendo para conseguir avançar esportivamente e financeiramente e de fato, querer mudar o cenário atual do futebol do estado.

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